feriado social

Da dor da perda

NOVIDADES: Dessa vez a esperança funcionou. Ontem a mocinha da academia me ligou dizendo que tinha minha bolsa da academia. Com tudo dentro. Tudo! Dinheiro, celular, cartões, NIE, ticket de metro… Ufa! Nem quis saber o que aconteceu pra ela sumir. Só peguei a bolsa, agradeci e voltei pra casa feliz e saltitante. Depois da aula de spinning, claro.

… pra ser bem sincera o dia de hoje de engraçado não tem muita coisa.

No meio do dia minha mãe me ligou pra saber se eu estava melhor da doença. Perguntou da comemoração espanhola e no meio da conversa contou que um dos meus cachorros morreu, o Mohammed. Pra quem ainda não sabe eu sou absolutamente apaixonada por cachorros, tinha cinco ao todo.

Ele morava na casa de campo e morreu envenenado por ladrões que assaltaram um escritório de advocacia que fica ao lado da casa. Enquanto minha mãe contava os detalhes eu ficava lembrando dele pequenino, brincando comigo, correndo atrás de mim e tentando me lamber com aquela língua imensa que os dogs alemães têm e querendo fazer carinho com aquelas patas que mais pareciam um pé de elefante. Fiquei bem triste com a notícia e saber que da próxima vez que for ao Brasil não vou vê-lo me dá um aperto no coração.

E o pior é ficar triste mas dez minutos depois estar preocupada de novo com os detalhes prosaicos de uma vida no estrangeiro, tendo em vista que daqui do outro lado do oceano o máximo que eu posso fazer é ficar triste, sozinha no meu quarto, lembrando de outros dias de felicidade. E essa, definitivamente, não é a melhor das opções.

A gente acaba ficando com um coração um pouco mais duro morando fora de casa.

O Mohammed era esse marrom, com a cabeça apioada na minha perna quanto tinha só 2 meses.

De volta a vida prosaica acabei minhas coisas e fui pra academia. Às vezes esqueço o cadeado e acabo deixando a bolsa da academia num armário lá no cantinho, só com a porta fechada, sem cadeado mesmo. Hoje fiz a mesma coisa. Só que descobriram meu segredo. E a outra “dona” da bolsa chegou antes de mim e levou minha bolsa pra casa dela, com minha carteira, meus cartões, alguns euros, meu documento de estudante estrangeira, meus documentos brasileiros, meu ticket de metro, as chaves de casa no meu chaveiro novo – presente de uma amiga visitante – e meu celular com meu fone de ouvido e 20 euros de crédito. Procurei em vários outros armários e nada!

Acho que foi alguma das espanholas sobre as quais eu sempre jogo um pouco da minha ira por serem tão magras, terem peitão, cintura, celulite zero e fazerem questão de andarem sem roupa pelo vestiário da academia.

Fui lá na recepção e contei o ocorrido, humildemente, claro, já que a culpa tenho eu de deixar a bolsa lá, sem cadeado. “Será que de repente umas das moças que trabalha aqui não pegou pra guardar… vai que ela viu que estava sem cadeado… não custa perguntar pra ela amanhã, neh…”, disse eu, sem o mínimo de esperança. A recepcionista estava tão sem esperança quanto eu mas mesmo assim anotou meu nome e as caracaterísticas da bolsa.

E agora aqui estou eu, sem dinheiro, sem cartão, sem chave de casa, sem documento de estudante, sem RG brasileiro nem carteira de motorista, sem celular, com fome, ainda com a roupa da academia, naquela fase de rir pra não chorar.

E como o que não tem remédio, remediado está, já tenho a comédia romântica pra ver antes de dormir e agora vou pra banheira com águinha quente, velas perfumadas e acompanhada do novo livro que estou lendo e no qual já estou viciada.

Tem que relaxar porque amanhã começa a vida de tirar segunda via de tudo. E isso é um saco.

O jeito é aceitar esse jeito nada engraçado que a vida tem de bagunçar tudo quando menos se espera.

🙁

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Dany Colares

Jornalista, produtora de vídeo e mestra em TV e Cinema pela Universidad San Pablo CEU, de Madri. Já morou em San Diego, Madri, Londres e agora voltou pro Brasil, de onde escreve sobre lugares, pessoas, baladas e tudo mais que descobre em suas viagens pelo mundo.

COMENTÁRIOS

  1. João disse:

    Força, prima!
    Você sairá mais fortalecida depois de tudo. Nada como um dia após o outro…
    Bjs,
    João

  2. CLAUDILA disse:

    egua..achei uma pior q eu!

  3. Coisas de Ta disse:

    Vaya suerte! 😉

    Imagina perder todos os documentos… Me alegro que tenhas encontrado e sinto muito pela morte do seu cachorrinho, quando o cachorro que tínhamos la em casa morreu, chorei tanto. Como nos apegamos a esses bichinhos, né?

    Bjus da Ta

  4. Gomes disse:

    Sinto pelo cachorrinho… As vezes um animal de estimação se torna muito mais leal e companheiro que certas pessoas que se dizem nossos “amigos” … :/

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