feriado social

Comida paraense – o tacacá

Comida paraense? Já provou?

Passear em Belém do Pará é caminhar a uma temperatura média de 28ºC. Imagine que você está em Belém e decide comer alguma coisa. É provável que você tenha imaginado matar a fome e amenizar o calor com um dos deliciosos sorvetes regionais, um suco de alguma fruta típica de Belém ou quem sabe bastasse um simples copo de água bem gelada.

Desculpe dizer, mas você imaginou errado. Aos menos na opinião dos mais de 1,5 milhões de habitantes de Belém do Pará, a segunda maior cidade do Norte do Brasil.

Em Belém, auto denominada a porta de entrada da Amazônia, o mais comum em meio ao calor e ao vaivém dos carros é parar em uma das muitas barracas de rua para tomar o famoso tacacá, o rei da comida paraense. Uma espécie de sopa regional, feita á base de tucupi, goma, camarão e jambu, o tacacá é uma das receitas indígenas que reinam gloriosas no cardápio paraense.

comida-paraense-tacaca

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E não é tarefa fácil se destacar neste cardápio. Há pouco tempo a maior revista de turismo do Brasil decretou Belém do Pará como a capital gastronômica do mundo.

Já está se imaginando por lá?

Com gosto exótico e poder afrodisíaco o tacacá deve ser tomado quente, chova ou faça sol. Na cuia, o recipiente onde é servido o tacacá, coloca-se primeiro o tucupi, um caldo amarelo obtido da mandioca. Em seguida vem a goma, um gel transparente igualmente obtido da mandioca. Depois, camarões secos, quanto maiores, claro, melhor. O toque final vem por conta do jambu, uma erva da Amazônia, meio prima do agrião, que dá o sabor especial ao tacacá. E por sabor especial entenda: a erva tem o poder de adormecer os lábios e a língua, fazendo do tacacá uma experiência extra sensorial.

O ritual termina adicionando um pouco de pimenta de cheiro, uma pimenta típica da região que recebeu seu nome graças ao agradável olor que desprende.

comida-paraense-tacaca

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O tucupi e a goma são resultados da massa ralada da mandioca que, depois de prensada para fazer farinha, resulta num líquido leitoso-amarelado. Depois de deixado em repouso, a goma fica depositada no fundo do recipiente e o tucupi na sua parte superior.

A cuia, onde é servido o tacacá é obtido do porongo, fruto do cuiero, uma fruta grande e redonda que lembra uma melancia. O porongo é cortado ao meio e deixado de repouso sob o sol. Depois cada metade é limpa e decorada á mão.

Toma-se o tacacá – tacacá na se come, nem se bebe, tacacá se toma – no final da tarde, em via pública, nas tradicionais barracas, servido pelas tacacazeiras. Assim são chamadas as mulheres responsáveis por cada barraca de tacacá.

comida-paraense-tacaca

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O tacacá é uma instituição no Estado. Você jamais ouvirá um paraense falando que não gosta de tacacá. Cada um tem sua preferência: com mais pimenta, com pouca goma, muito jambu ou sem camarão. Não importa. A verdade é que chova ou faça sol, o tacacá é item obrigatório em qualquer dieta paraense. E por falar em dieta, pode tomar sem medo de fugir da sua. Uma cuia de tacacá tem em média 125 calorias.

E quem sabe entre uma cuia e outra de tacacá você não acaba sendo descoberto por um agente de moda? Ao menos é o que dizem ter acontecido com a super modelo internacional Caroline Ribeiro. Paraense, reza a lenda que ela foi descoberta enquanto se deliciava com uma cuia de tacacá nas ruas de Belém.

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E se tudo isso atiçou ainda mais a sua imaginação, não perca tempo. Pare de imaginar e venha correndo tomar o tacacá e conhecer outras iguarias típicas da capital gastronômica do mundo. Às vezes a realidade supera a imaginação.

Essa barraca aí, onde eu sempre vou, é a do Renato e fica na Av. Duque de Caxias (entre a Travessa Mauriti e a Rua Barão de Triunfo) e a simpática tacacazeira da foto é a Maria, esposa do Renato.

E que tal ver como é que faz o tacacá, o prato mais brasileiro que existe?
Esse vídeo bem legal vem direto de um projeto que une a Gastronomia Portuguesa e a Amazônica. Dá uma olhada pra ver o tacacá em ação.

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Dany Colares

Jornalista, produtora de vídeo e mestra em TV e Cinema pela Universidad San Pablo CEU, de Madri. Já morou em San Diego, Madri e agora vive em Londres, de onde escreve sobre lugares, pessoas, baladas e tudo mais que descobre em suas viagens pelo mundo.

COMENTÁRIOS

  1. Comi este prato em Parauapebas, perto de carajás e gostei muito. Lembro-me que me falaram deste efeito de ter os lábios adormecidos e, conforme eu ia comendo, não sentia nada e ficava dizendo que esta história era lenda. Os amigos só diziam pra eu esperar que o efeito logo viria. Continuei comendo,incrédulo, e aos poucos, comecei a sentir os lábios adormecidos, assim como a língua.

    De qualquer forma, se dá pra comer este prato quente no calor de Belém, não terei problema em comer uma Fabada Asturiana em Madrid, quando estiver lá em agosto.

    • Dany disse:

      Arnaldo,

      hahahahhaha Não vei ter problema nenhum com a fabada, não. Taí a prova viva dos efeitos tremilicantes do jambu. Espero que você tenha gostado, hein?!

      Dany

  2. Gostei sim, Dany. Mas o que eu comi foi num restaurante, feito por uma cozinheira metida a chef de cozinha (estou sendo injusto, ela é boa mesmo). O que eu vi nas suas fotos, me parece um esquema mais informal, parece que numa barraquinha, na rua mesmo. Isso é mais a minha cara. Me dê a dica de onde é este lugar, pra que eu possa conhecer na próxima vez que eu for a Belém. Vai ser bom pra que eu possa variar um pouco, já que os únicos lugares que eu conheço aí são o Manjar das Garças e os restaurantes da Estação das Docas. Eu gosto dos dois lugares, mas é sempre bom variar.

  3. Franc Junior disse:

    Ótima Materia, Adorei. Parabéns Dany Colares. #Show

  4. André disse:

    Tacaca é uma delicia. Iguaria típica do Pará. Morei minha infancia no pará, embora seja paranaense.

    Abraço!
    André postou recentemente sobre Quartos Decorados para JovensMy Profile

  5. Dona Dieta disse:

    Nunca provei, sou louco para provar. Quem sabe um dia nas férias eu vá no Pará… 😉

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